quarta-feira, 14 de junho de 2017

O AVÔ ANTÓNIO

O AVÔ ANTÓNIO

O retrato do meu avô António,
numa moldura de madeira
feita pelo marceneiro do lugar,
foi amarelecendo.
Um dia,
sem que nada o fizesse prever
estalou o vidro
protector da fotografia.
Desfez-se o conjunto
em bocados no chão.
Acabou-se a sua presença
em cima da mesinha
da sala de estar.
Hoje é uma lembrança,
de pequena estatura,
pouco falador.
A cor dos olhos,
o rasgo dos lábios,
foi a sua herança,
os genes que  carregamos
até que a vida nos permita.
O som da sua viola,
as cantigas ao desafio
foram o rosário que desfiou,

nos embalou enquanto meninos.

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