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sexta-feira, 27 de maio de 2016

ESCUTAR

Collado

ESCUTAR

Escutar a linguagem
do fim do dia,
o regresso a casa
contando o dinheiro escasso,
compra-se o frango assado,
o pão, ambos em promoção.
Já nem se liga às palavras,
meio mentira meio verdade,
dos noticiários diários,
o poder capital do dinheiro
vaza-nos os olhos.
À porta de cada país endividado
há um usurário
abrindo escancaradamente a boca
à presa fácil.
Os bancos implodem,
vidas esvaem-se,
no silêncio calmo da indiferença.
Nos escaparates das livrarias
livros expostos
de dietas milagrosas,
corpos esculturais compram sucesso.
Morre o lixeiro
atropelado pelo próprio camião.
Respire fundo, descontraia,
a vizinha do lado
continua a cumprimentá-lo
num sorriso de dentes de cristal.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

ESCUTAR

Collado

ESCUTAR  

Escuta-se a linguagem do fim do dia,
os corpos cansados de regresso a casa,
o mês vai a meio, conta-se o dinheiro,
é comprar o frango assado,
o pão, ambos em promoção.
A televisão ligada, é só companhia,
passam palavras insignificantes,
meias verdades, meias mentiras.
Os olhos são vazados
pelo poder
quando vêem mais além.
Vende-se, compra-se propriedades,
destinos,
em cartórios cozidos em vil metal.
À porta de cada mansão
há um usurário
abrindo a boca à presa fácil
engolindo como a cobra,
num ápice, a vida alheia,
sem remorsos nem comiseração.