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terça-feira, 29 de setembro de 2015

UM DIA DE VERÃO

Henri Matisse

UM DIA DE VERÃO    

Soube-me pela vida
o gelado de limão
comido depois da refeição
pesada,
o assado típico
de um domingo português.
O azar foi ter ficado com azia
a estragar-me o dia.
Uma bolacha de mel e noz,
talvez equilibre o azedume,
molhada no café
doce e forte.
A combinação dos sabores
é uma ciência exacta,
desperta o palato
e explode na boca
até ao último bocado.
Apesar da má disposição
que bom que é comer

num dia iluminado de Verão.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

UM DIA DE VERÃO


UM DIA DE VERÃO

Entre mim
e a linha arqueada
do oceano
o mar ondulando, suavemente
e, o silêncio!
Excluídas as vozes
imperceptíveis
de dezenas de banhistas
e, seus articulados
abafados,
há o aflorar dos golfinhos
ao fim da tarde,
surgem na borda da praia
surpreendendo quem está!
Nada mudou
neste verão escaldante,
o mundo que habitámos
amarfanhado em intrigas
e negociatas,
 o factual diário angustiante,
enquanto o sol quente
barre os corpos tisnados,
gritando por um banho
refrescante!
Não desilude a natureza
e eu continuo a ser eu,
lutando
contra argumentos,
cozinhados em gabinetes
de marketing,
pagos a peso de ouro
pelos nossos impostos,
mantendo no poder
os mesmos de sempre!
Branqueie-se assim
a incompetência
de quem nos desgoverna!
Pois, sou eu, assim
entre o optimismo
e o pessimismo,
sonhando sempre
vencer moinhos de vento
num qualquer apoteótico
amanhecer!