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terça-feira, 8 de janeiro de 2019

DESCRIÇÃO

José Gonzalez Collado
DESCRIÇÃO  


Um luar difuso
indefinido
entra sem pedir licença
no meu quarto de mansarda.
Entrou e quis ficar
bordando o tempo
com linhas claras.
Conversámos os dois
sem chegar a conclusões,
ensonados depois
na companhia um do outro
dormimos como sempre
virados para a janela.

quarta-feira, 27 de junho de 2018

DESCRIÇÃO


Collado
DESCRIÇÃO  

A lua esgueira-se
por detrás do telhado cinza,
inclinado.
O anoitecer
está tão calmo,
pode-se contar as luzes
na ponte de D. Luís.
O dia desaparece,
o rio cantareja
sobre as rochas esverdeadas
e lá vai, lá vai
contente a caminho da foz.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

DESCRIÇÃO



José Gonçalez Collado

DESCRIÇÃO
Estendes-te no sofá
embrulhado na manta quente,
levas à boca repetidamente
cada cereja rubra, resplandecente,
Brilham as achas na fogueiras,
a pele aquece, a alma aquece.
Nada de dúvidas,
esquecidas as perguntas,
é vasta a sala

para pensar na vida.

quinta-feira, 9 de março de 2017

DESCRIÇÃO



 Collado
DESCRIÇÃO

Ali, frente à casa
era uma horta
ponteada de citrinos
sumarentos.
Nos Verões longos,
suados, ressalvados,
em sestas espreguiçando-se,
bebia-se jarros de limonada
empurrando bolinhos
de canela e passas
feitos pela minha avó.
Longe estava a cidade,
o estudo esforçado,
os exames calendarizados.
Jogava-se às cartas,
apanhava-se as frutas

para comer à ceia.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

DESCRIÇÃO




  Collado
DESCRIÇÃO  

Três da tarde,
no inebriante dia 20 de Fevereiro
do ano do senhor, 2017.
O sol raso incide brilhante
na mesa número dois
da esplanada do café Plaza.
Um descafeinado pingado,
a revista rosa Caras,
uma brisa arrastada
do jardim de S. Lázaro.
O céu todo meu,
a leveza de um dia comum
numa imensa paz

pousada num pássaro que voa.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

DESCRIÇÃO

Paula Rego
DESCRIÇÃO

Olho os teus olhos
cor de centeio maduro,
a leveza dos teus lábios
cor de amora,
os cabelos enredados
ardendo em chama,
a voz aprumada
em concha agachada!
A alma fechada a cadeado,
o corpo espantado,
a violência do verbo
arremesso que não mereço!
Sentado num muro
imaginário
desfias memórias,
algumas glórias
pedindo urgentemente
um guia
de caminhos
para onde caminhar!