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quarta-feira, 23 de agosto de 2017

SAUDADES


J. Valcárcel
SAUDADES  

Não te vejo
sentada nessa cadeira
esquecida no jardim.
Tenho saudades
das sestas dormidas
no decadente cadeirão,
lado a lado.
esquecendo tudo,
o que estava fora do muro.
Era bom o equilíbrio,
a natureza esplendorosa
rompendo a terra
escura, húmida.
Estranho, não te ver,
ainda ontem, juro,
estavas lá,
esperando o chá
com rodelas de limão.
Vida multiplicação de factos,
sendo nós adultos,
sofremos as consequências.
O resto particularidades,
o soa aquecendo pouco,
a dureza da existência,
a caminhada tidos os dias

no passadiço cercando o Douro.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

SAUDADES


António Sampaio

SAUDADES  

Não te vejo
sentada nessa cadeira
esquecida no jardim.
Tenho saudades
das sestas dormidas
no decadente cadeirão,
lado a lado
esquecendo tudo
o que está por detrás do muro.
Era bom o equilíbrio,
a natureza esplendorosa
rompendo a terra
escura, húmida.
Estranho não te ver,
ainda ontem, juro,
estavas lá,
esperando o chá
com rodela de limão.
Vida, multiplicação de factos,
sérios, adultos, responsáveis,
com consequências.
O resto, particularidades,
o descanso relaxado,
a dureza da existência

passando ao lado.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

SAUDADES


Marcos Andruchack
SAUDADES  

Tenho saudades
de quando éramos namorados,
nada era ridículo,
nem os beijos apaixonados
nos velhos jardins da cidade,
o dinheiro contado
para o café e bolo,
o passeio dos tristes
até à Foz
começando ao lado do rio,
ora de eléctrico, ora a pé
consoante as posses,
as cartas extensas,
autênticos estados de alma.
Não havia telemóvel,
internet,
era preciso saber escrever.
Meninos e adultos 
simultaneamente confusos
vendo o sol caindo devagar
no extenso mar à nossa frente.
O frio não enregelava,
as flores não se ofereciam

estavam dentro de nós.