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terça-feira, 18 de junho de 2013

RELÓGIO


RELÓGIO

O relógio é sempre o mesmo,
grande, imenso,
empurrando o tempo,
empurrando a vida!
Acorda esta casa,
impreterivelmente,
às sete horas, TMG,
sem dó, nem piedade!
Não tem em conta
este sono mal resolvido,
o travesseiro que agarra,
a tua mão que afaga!
Os ponteiros negros,
espetados,
estão sempre tão apressados
de chegar ao outro dia!
Pelo toque do relógio
sou lançada
no mundo robotizado,
onde tudo tem hora certa!
Poder parar o relógio,
rasgar todas as fronteiras,
e almoçar com decência,
neste dia, de Primavera, molhado!
Saciar, devagar, a fome,
nas brumas do nevoeiro,
sentado nas varandas do rio,
deste denso Porto velho!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

RUA MORIBUNDA

Joaquim Durão


RUA MORIBUNDA

Rua estreita
com fachadas esfareladas,
deserta de sentimentos
onde estão as vendedeiras
de violetas?
Quem te quis abandonada
de lojas fechadas
e ausência de gente?
Os poetas ainda passam
por esta rua esquecida
recitando baixinho poemas!
Os namorados tardios
beijam-se às escancaradas
perdidos nesta ruela,
encaixam bem os poemas!
As velhotas debruçadas
nas janelas enferrujadas,
abrem a madrugada
e enxugam devagarinho
o orvalho preso nelas!
Os raros catraios
reguilas, espevitados,
roubam, da frutaria triste,
as maçãs,
que não têm em casa!
A vida é processada
nesta rotina parada,
diária,
as nossas velhas sentadas,
em decadentes esplanadas
tentam que a vida sorria
nesta rua que se apaga!