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terça-feira, 15 de outubro de 2019

OUTONO

Mário Couto
OUTONO

Outono, no Porto granítico,
o céu enevoado e cinza,
dia sim, dia não.
Os turistas aos magotes
em grupos enfileirados
guiados por rapazes e raparigas
alguns até cantam o fado.
As mulheres entram apressadas
em ourivesarias antigas
e compram jóias em filigrana.
Uns param nas calçadas
e tentam interpretar
os desenhos calcetados.
À tarde quentura,
à noite sopra um vento do rio,
põem as damas uma echarpe
antes do jantar na esplanada.
O Porto empurrado
por estes pilares inesperados
fica lavado graças a eles.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

OUTONO

Collado

OUTONO 

Nem dia nem noite,
luscofusco,
a tarde sem chuva,
dormente.
As cores terra exangue
levadas
por um vento agreste.
Onde está o espelho
de ouro velho
onde possa arranjar o cabelo?
Um gato vadio
corre pelas folhas mortas
num jardim pintado
de tons fortes.
Um cheiro intenso,
a brasa, a castanha assada,
queimam-se as mãos,
degusta-se o Outono.

quarta-feira, 28 de março de 2018

OUTONO


José Gonzaléz Collado
OUTONO

Cheira a castanhas,
a fumo
por entre os pingos de chuva
que se abatem na cidade.
A água lava as ruas
num caudal descontrolado.
No jardim da Cordoaria
rodopiam folhas multicores
de tons terra,
caem a toda a hora
deixando as árvores solitárias.
Um cachecol colorido
agasalha a menina loira
que desce os Clérigos
em passo apressado.
Cheira a terra molhada,
a coração a bater,
a marmelos descascados,
a memórias de fumeiro,
a pão negro de centeio,
a lareiras acendidas,
a rezas no fim do dia.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

OUTONO


OUTONO

Outono,
simplesmente constacto
a mudança de estação,
nada de sonhos extravagantes
ou outros desejos ocultos
apenas a chuva que cai
a devorar o Verão!
Através da varanda
da cozinha ancestral
sinto os ventos
esgaçando folhas sangue,
amarelo cera,
castanho terra,
adubando a cama
onde hiberna a Natureza!
De repente o silêncio
até à fecundação
que se dá na Primavera!
O sol viril
será pai
de todos os frutos
pendurados nas árvores
pungentes
do pomar!