Mostrar mensagens com a etiqueta ALBERTO D'ASSUMPÇÃO. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ALBERTO D'ASSUMPÇÃO. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 12 de junho de 2013

PORTUGAL


Alberto D'Assumpção, in: http://dassumpcao.blogspot.pt/
PORTUGAL

Por detrás da perra canela
perfilhado no fundo da Europa,
guerreiro ancestral
sem viseira,
ingenuamente deixando-se
imolar,
por quem vê em nós
mais dez milhões de consumidores!
Envolvido pela neblina
que sopra dos mares dos Açores,
não respira a solidariedade
de quem semeia atoleiros
que não queríamos cá!
Que feio pormo-nos de joelhos
diante do capital!
Sugam-nos, de olhos cerrados,
os proventos tão suados
da jornada laboral!
Tomam decisões,
discutem, opinam,
não explicam porque nos empobrecem
do alto da sua sabedoria
liberal!
Avança a fome
servida em pratos de cristal,
desinfectados,
inspecionados,
visionados,
pelas normas do mercado global!
Pugnemos pelo nosso direito
a carne de porco preto
tostada em brasa quente!
Canecas de cerveja fresca
passando de mão em mão!
Somos filhos de Deus,
queremos cordeiro assado
com batatas e hortelã,
tarte de nozes e coco,
escolas com gerânios à janela,
professores pulando nos recreios,
operários laborando pela manhã!
Venha o mundo novo,
outros dirigentes,
outras leis
e um povo pensador
empunhando liberdade
nas bandeiras desfraldadas
gritando nas janelas de cada casa!

sábado, 3 de outubro de 2009

PORTUGAL

ALBERTO D'ASSUMPÇÃO
in:http://pontesluso-galaicas.blogspot.com/2009/07/alberto-dassumpcao.html


PORTUGAL

Um Minho verde e possante,
molhado em vinho Alvarinho,
sentado à mesa,
em dia festivo,
com travessas de rojões
e papas de sarrabulho!
Embriagado ,em dias de romaria,
com bolinhos de amor ou doce da Teixeira,
empurrados com cálices
de Porto Rubi!
Gosta de esquecer
os dias maus
com muito foguetório
e desfiles de moçoilas coloridas,
nos lenços e outros pertences,
pelas ruas da cidade aquecida,
pela alegria infantil,
e pagã - cristã,
durante o ano esquecida!
O Douro é rude e desperto,
em vinhas que embalam o Mundo,
cerejas de muitos sabores
que misturam com licor
de rum,
para aquecer tertúlias,
vestidas com casacos invernosos!
Acende as súcias com carneiros
assados em cima de alguidares de arroz
muita gargalhada e violinos sonhadores!

É feita com filas de gentes de outras cepas,
sabendo a suor e hortelã,
rindo nem sabem de quê
mas desejando um melhor amanhã!
O Douro Litoral em tempos idos,
terra de Póvoas e impostos reais,
saídos das fainas do mar,
de lendas e outras rendas
trazidas por marinheiros e piratas
que aportavam ao nosso litoral,
deixando lá a sua semente em gente loira
que despertava cedinho,
para a apanha do marisco!
A Estremadura vivia da agricultura,
e dos moinhos de vento,
e de algum espavento,
em paisagens irreais!
O Ribatejo dos toiros e ainda de tantos sonhos,
expressos nas raivas das toiradas!
De campinos atrevidos que miravam
as pernas roliças das moçoilas nos arrozais!
Do Alentejo lembro a planície e a lentidão de um olhar
que sem querer aguardar melhor sorte
parte para outro Norte
que lhe apague a tristeza do olhar!
As Beiras assentam nas oliveiras e nas calmarias
dos dias
infindos das tardes de Verão,
com cereal a ser malhado na eira,
enquanto o suor escorre
e empapa a esteira onde descansa o pão negro,
molhado em azeite e segredos!
O Algarve era outro reino pertencente a rei espanhol,
atacado por mouros.
que os deixava m exangues!
Deixado à sua sorte,
vivia o dia a dia da sorte na pescaria,
pomar e cereal!