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terça-feira, 3 de novembro de 2015

RAPARIGAS

Pablo Picasso

RAPARIGAS 

As raparigas fashion
jeans cor de alfazema,
ténis último grito
vão e vêm na danceteria
do que se fala.
Dançam
ou ritualizam
ao som frenético
de uma música
que lhes atordoa os sentidos.
Deixam perfumes no ar
ao passar,
atraem ao de leve
os rapazes,
de cabelos rapados,
orelhas furadas
com brincos dependurados.
Bebem cerveja
que é mais barata,
indecisos entre continuar
ou zarpar.
Lá fora a hora é débil
há paz em vez de euforia,
tombam folhas devagar.
Uma rapariga sai
pela porta vermelha,
deixa cair o abafo,
dança na praça,
rindo sabe-se lá de quê.
Há vultos nas vielas
da zona industrial,
juntam-se uns matulões,
presenteiam-na

com uma salva de palmas.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

APELO

Pablo Picasso

APELO 

Vem amigo,
traz o coração, a alma,
nada acontece
no inicio da tarde agreste,
se não houver quem ouça
de verdade
o que dizemos!
Falemos
dos cegos da História,
das criaturas
que crescem e morrem
rodando
em volta do seu umbigo!
Apodrece o mundo,
choram crianças,
rebentam bombas,
morre gente,
agonizam vozes,
a fome aperta,
o ar é irrespirável na China!
Em Bruxelas
Sentam-se os grandes
em cadeiras de veludo
riem, bebem água de Vichy!
Fazem-nos esquecer
mais um ano sem esperança!
Avancemos com um movimento
novo,
não previsto!
Rompamos nuvens,
janelas, olhos,
façamos com que o sol
brilhe de novo!