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terça-feira, 17 de abril de 2018

NARRATIVA



António Bártolo
NARRATIVA

A rua inclinada de Santo António,
o eléctico amarelo
subindo.
Nas costas  S. Bento
o comboio que chega,
a azáfama.
Muita música
na rua das flores,
todos querem ganhar
com os turistas.
A chuva continua,
fria, miudinha,
chuva há mais tempo
que a paciência.
Os braços enferrujados,
as mãos querendo
tocas rosas.
O café quente na Império,
os jornais voando,
fila para o Majestic,
o Porto planando.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

SENTIR A CIDADE

António Bártolo

SENTIR A CIDADE

A praça da Liberdade
não deixou de ser praça
apesar de perder a graça
de uma praça de província,
com árvores, bancos,
sombras e velhos.
Sem velhos não há praças
que mereçam o nome.
Quiseram-na modernaça
ao estilo da Europa Central,
figurando grandes espaços,
quando nos caracteriza
a pequenez.
Hoje tem poucas árvores,
poucas sombras,
poucos bancos,
poucos velhos,

poucas memórias.