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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

HOJE

Victor Zapa
HOJE

Tomei o pequeno almoço
e do mundo vi o desânimo,
forças obscuras
vindas das entranhas
do passado,
querem que voltemos
a ser servos ou escravos!

Tiros, forças policiais,
sequestros, reféns,
gente jovem
que quer ser deus!
Arrasam-se portões,
o terror instala-se,
chora-se em funerais!
Amanhã resolve-se
o conflito,
conforme o interesse
dos fortes,
sem estratégia comum
não se vence a ameaça!
Os pássaros voaram todos
do Ocidente,
falta grão,
falta a noção da importância
da dignidade!
Onde está o barqueiro
da salvação?

JORNALISTAS

Victor Zapa
JORNALISTAS 

Puseram-nos de joelhos,
vestidos de laranja
como os presos de Guantamano,
injectaram nos seus olhos
a angústia da complexidade
do martírio,
ataram-nos de pés e mãos,
puseram na sua boca
palavras cuspidas,
apodrecidas num fanatismo
sem qualquer explicação!
Como carrascos,
jovens anónimos,
protegidos pelo negro fato,
pelo negro manto
tapando-lhes os olhos
e a alma!
Impunes
ao abrigo interesses obscuros,
de rompante,
sacam de uma faca,
recitam salmos de medo,
executam à nossa frente
os homens
que só quiseram
dar-nos conta
do triste estado do mundo!

domingo, 14 de abril de 2013

DISCURSO



DISCURSO


Não estou vergada
mas perturbada,
com as palavras de alguém,
algures!
Enrolam-se,
ficam presas
em mentiras públicas
e vícios privados
sem exercerem a sua função!
Correm indiferentes,
ao mal que fazem,
narrativas fúteis!
Centenas de pessoas,
rua acima, rua abaixo,
nesta tristeza muda
de nem saberem
que perderam o futuro!
Beba-se o café quente,
trinque-se as torradas,
alinhem com a doçura do açúcar!
O bocejo é difuso
nem infiltra a inutilidade
da verborreia politiqueira!
Ridículos são os discursos,
com palavras que não se entendem,
ausência de ideias,
propostas nulas,
e nós?
Gastos, apáticos
sentados, adormecidos,
que pena!
Vagamente querendo,
com pouca força,
uma milagrosa mudança!