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terça-feira, 10 de abril de 2018

UM LIVRO


José Gonzaléz Collado

UM LIVRO

Amontoado de páginas
lavradas em silêncio,
antes de o abrirmos
é o escritor e a gráfica.
Cheira a tinta,
a ideias trabalhadas
ao que existe
ao que foi inventado.
Tem voz, sentimentos,
leva-nos pela mão
a limpar a caverna
dos medos, do escuro.
Explode em enredos
encrespados,
em corpos suados,
em tardes de estio roxas
esperando a merenda.
Amigo de horas vazias
ouvindo em conjunto
o bater do relógio,
o afugentar das mágoas,
a toma do café
salpicando as bolachas
 crocantes
de gengibre e manga.
Braço dado na, madrugada
ensonados, esfregando os olhos
lendo ainda mais um capítulo.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

UM LIVRO

José Gonzalez Collado

UM LIVRO  

Tudo se resume a um livro
velho, bafiento,
vindo directamente do alfarrabista.
Um livro que abre mentes,
transpõe distâncias,
leva-nos a lugares mágicos.
O livro comprado
um pouco ao acaso,
quase não existia
no meio imerso
de uma prateleira quase vazia..
rodo-o nas minhas mãos,
pesa-lhe a clarividência
de transportar pensamentos,
estados de alma,
alquimia temperada em oficinas
sábias,
satisfazendo outros como eu
ávidos de saberes antigos.
Provisoriamente
ficou na gaveta aberta
para perder o cheiro característico
de livro fechado.
Depois, amanhã, depois de amanhã,
ou noutro dia qualquer
soltará perfumes verdes
trazidos directamente de Paris.
Escancarada a porta principal,
o pinhal fica defronte,
os odores misturam-se,
algo criativo
está prestes a acontece,
a flor do ibisco rompeu
para enfeitar a leitura,
dar cor ao flute de champanhe

em cima da mesa.