Mostrar mensagens com a etiqueta SAUDADE. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta SAUDADE. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 12 de junho de 2013

SAUDADE



Saudade
O meu avô
tinha umas mãos grandes
que aqueciam as minhas
nas manhãs de Outono
quando subíamos ao pinhal
para colher as últimas amoras,
matéria prima
da compota doce, escura,
pegajosa,
que barrava generosamente
o pão amargo de centeio!
Tinha curiosidade,
eu um pequeno fedelho,
em relação a tudo:
o cheiro molhado da terra,
o arado a rasgar a leira,
o chilrear da passarada,
a água a correr na caneja!
Enquanto se desviava a água
para a rega,
brincava com o relógio de bolso,
do avô Manel,
adiantava os ponteiros
para que chegasse depressa
a merenda!
Numa toalha improvisada de folhas,
retirava-se da cesta de verga:
pão, azeitonas, tiras de presunto
e um pichel de vinho tinto!
No fim do dia, cansada,
os meus braços ainda transportavam
as azedas,
com que a minha avó fazia a açorda
para a ceia!

terça-feira, 11 de maio de 2010

SAUDADE

Carlos Dugos
in: http://eaobranasce.blogspot.com/


SAUDADE
Saúda,
há que saudar,
quem fica no cais de embarque,
olhos negros e doces
que choram
a entrada no veleiro
do seu amor,
empurrando um estranho nevoeiro!
Ai saudade tamanha,
presa em mãos suadas
que se alimentarão
de outras vertiginosas estradas!
Num subtil ramo de rosas,
vermelhas e perfumadas,
acabarão as saudades,
magoadas,
de uma vida inteira!
Prender - te à terra
num beijo,
é o meu desejo,
fogo de artificio
para festejar a última chegada!