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sexta-feira, 22 de junho de 2018

NO MEIO

Esther Molinero

NO MEIO 

Estar-se vivo
ouvindo o respirar
na sala excêntrica,
datada,
maples de napa
coberturas de crochet.
Lá fora alguém grita,
faça-se qualquer coisa.
Chove, não chove,
o calor aperta, sufoca,
é penoso arrastar os pés na rua.
A esplanada aguarda,
sombra, uma sangria,
a água a jorrar na fonte.
Uma ninfa solta-se
do meio das demais,
espreguiça-se na cadeira
do meu lado,
bora lá, vamos fabricar um poema?

PAISAGEM MATINAL

Collado

PAISAGEM MATINAL 

Cada manhã,
debaixo da janela aberta
do quarto a nascente,
o riacho Oana
marulha sem cessar.
Os limos verdes
pendem sobre as margens.
os peixes dourados
esgueiram-se aos anzóis
aproveitando
a boleia da corrente.
O céu plúmbeo
anuncia chuva,
lava o rio, leva as mágoas.
O moínho velho
pouco labuta,
de longe a longe
moí um saco de milho.
Neste bucólico lugar
escrevo à tardinha
no meu caderno de linhas
mais uns poemas.