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sexta-feira, 22 de junho de 2018

FIM

Collado
FIM 

Acabou.
Findou.
Não há mais poemas
com luas dentro,
sóis incendários
iluminando o escuro,
ópera escutada  a dois,
sentados em cadeirões
de um teatro antigo.
As lembranças diluem-se
deixam lentamente
a alma.
Desapareceu
o que nos ligava, adeus!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

FIM

José Gonzalez Collado

FIM  

Os olhos percorrem a casa
agora vazia,
as passadeiras gastas
cobrem um chão velho,
os copos, os pratos esbetonados,
serviram de mão em mão
festas e comemorações.
Hoje são fósseis, não existem,
não têm serventia.
Foram belos os armários,
as secretárias, a credence.
O pó, como argila branca
cobre as memórias,
as ânsias, as lembranças.
Delírio é querer continuar
navegando em águas mortas.
Frágeis, agarramo-nos a tudo

esquecendo a brevidade das coisas.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

FIM

Victória Rodrigo
FIM

Tão fria que és
gelas tudo à tua volta
com a tua figura esfíngica
perna longa
e salto alto!
Sentada na cadeira
do café da moda,
debicas com fastio,
um bolinho de gengibre!
Estás ausente,
numa conversa
tornada fluente,
o olhar disperso,
a mão
que não pousa na minha!
Eu sou o gebo
que te sustenta
acertando o caminho errado
traçado por ti diariamente!
Olhamo-nos demoradamente,
não nos vemos,
sorrimos até
e não sabemos onde estámos
ou para onde vamos!
Falámos línguas distintas
e tomámos chá de tédio
no Domingo
ao fim da tarde!
Filhos de mau encontro,
nada fazemos juntos,
esperámos
que a corda bamba
se desfaça
e cada um tome o seu rumo!