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terça-feira, 21 de maio de 2019

MAIO

Jose Gonsalez Collado

MAIO

Escondo-me
na sombra da árvore
evitando o sol,
uma soneira
invade o corpo sem sina,
as mãos abrem-se
na frescura das folhas
dobradas.
A casa ao fundo
meio abandonada,
a brisa sopra,
os vidros brilham
onde tanto olhar passou
a espreitar.
Um amargor na língua,
saudades de um tempo
mal vivido,
de fugas nunca concretizadas.
Ah meninice
ainda dentro de mim
com a mãe chamando
para o almoço:
são sardinhas assadas.
Respiro devagar,
encho os vazios
circundantes e frios,
as papoilas acenam,
vermelhas,
eu bocejo:
que vontade de partir.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

MAIO

Collado
MAIO

As cerejas vermelhas
pendem dos ramos vergados,
 os pássaros  comem
as bagas das romãs
que não foram apanhadas,
as maçãs crescem lentamente,
o corpo acompanha a natureza!
Mariana colhe o míscaro
do desejo
e olha fundo
no olhar do companheiro!
Todo o espaço é alma
acendem-se centelhas
nas mãos molhadas!
Tudo reluz,
o sol, as cotovias,
os cataventos, o espelho veneziano,
a pele doce, a saudade de ti!