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sexta-feira, 28 de novembro de 2014

DE OLHOS FECHADOS

António Porto
DE OLHOS FECHADOS  

Fecho os olhos,
abro a alma
para um príncipe
regressado das Índias,
montado num elefante
transportando as sedas
que docemente
me envolverão!
Desço a vereda da serra,
o rio soluça no vale,
os remos do barco azul
cortam a água,
o velho sacerdote
com ungentos
esfregados no nosso colo,
abençoa esta união!
Serei esta noite deusa,
amante,
corredora, dançarina,
por entre as colunas do palácio
outrora de marajás!
Serei feliz
banhando-me contigo
na tina redonda,
envolvendo-nos depois
na toalha azul do teu olhar!

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

UM DIA DE VERÃO


UM DIA DE VERÃO

Entre mim
e a linha arqueada
do oceano
o mar ondulando, suavemente
e, o silêncio!
Excluídas as vozes
imperceptíveis
de dezenas de banhistas
e, seus articulados
abafados,
há o aflorar dos golfinhos
ao fim da tarde,
surgem na borda da praia
surpreendendo quem está!
Nada mudou
neste verão escaldante,
o mundo que habitámos
amarfanhado em intrigas
e negociatas,
 o factual diário angustiante,
enquanto o sol quente
barre os corpos tisnados,
gritando por um banho
refrescante!
Não desilude a natureza
e eu continuo a ser eu,
lutando
contra argumentos,
cozinhados em gabinetes
de marketing,
pagos a peso de ouro
pelos nossos impostos,
mantendo no poder
os mesmos de sempre!
Branqueie-se assim
a incompetência
de quem nos desgoverna!
Pois, sou eu, assim
entre o optimismo
e o pessimismo,
sonhando sempre
vencer moinhos de vento
num qualquer apoteótico
amanhecer!