Mostrar mensagens com a etiqueta CARLOS DUGOS. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta CARLOS DUGOS. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 9 de março de 2016

ZÉ JOÃO A PENSAR

Carlos Dugos

ZÉ JOÃO A PENSAR  

Breve é a dor,
breve é o sonho,
amanhã ao raiar do dia,
eu, Zé João
terei alguém
ou ninguém
assim queiram os deuses.
Acordei com a ilusão
que desta vez o amor
era para sempre
no entanto, só a eternidade
é para sempre.
Continuo a jogar xadrez
na praça, a mente distante,
não reparei na garota
que me olhava de soslaio.
Pensei demais,
deixei passar a hora,
a  oportunidade, a vida.
Fiquei só,
eu e a minha circunstância,
deixando-me abater
por um peão de pança.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

FALAS

Carlos Dugos
FALAS

“O nosso Deus virá e não ficará calado,
à sua frente um fogo abrasador
ao seu redor uma forte tempestade”

(Salmo da colecção de Assaf)

Todos os rios correm para o mar,
é uma das verdades para acreditar,
os episódios passageiros
são apenas isso, passageiros,
os políticos que nos governam,
mais passageiros ainda,
diante da longevidade da História,
os desertos que criam
beliscam apenas a eternidade!
Entoam salmos salvadores,
mas corrámos à frente de todos,
para derrubar os muros
que nos estão a encarcerar!

POEMA

Carlos Dugos
POEMA

Este poema
é feito de palavras
agarradas
em todas as calçadas
por onde passei!
Tem pele, músculos,
osso, sangue,
aspereza, dor,
alegria, calor!
Gargalhadas duradouras,
água a escorrer
por entre as mãos!
Tem aromas,
frascos de especiarias,
potes de mel
colhido esta manhã,
 perguntas sem resposta,
respostas sem questões,
o mundo incompreensível
onde os cifrões
valem mais que as pessoas!

terça-feira, 16 de setembro de 2014

LEMBRANÇAS

Carlos Dugos
LEMBRANÇAS  

Ainda me lembro do teu cheiro,
da crispação dos teus cabelos
revoltosos,
do gostar do teu olhar!
Da elegância do teu andar,
quase voar,
quase dançar,
e do modo como cruzavas
os braços
ao admirar a beleza
dos lugares!
Entrosavas-te rapidamente
nas tascas dos Clérigos
a comer cozido
e  nos salões com espelhos
dourados,
iluminados
por lustres de cristal veneziano,
a beber cup de champanhe rosé!
Da roupa pouco te importavas,
nem do sítio
onde a deixavas,
o banho matinal
era fundamental
para um bom começo diário!
Estas lembranças almofada
não esmagam,
não esfrangalham,
não deitam achas
na turbulência da vida!

quarta-feira, 14 de maio de 2014

PENSAMENTO

Carlos Dugos
PENSAMENTO

Estendida na cama,
ao fim da tarde,
espera que a morte
inundando a sua cabeça,
não a impeça
de realizar a vida!

quarta-feira, 3 de julho de 2013

UM DIA MAU


Carlos Dugos


UM DIA MAU

O bar fechou,
o dia findou,
a dor não acalmou!
Sento-me ao frio,
enrolado numa escada
e pergunto porquê,
antes que a tristeza me liquide!
O tempo é escuro,
as montras iluminadas
dão algum brilho
à sórdida e suja viela!
Passa gingando a mulher
saída de um canto qualquer,
os tacões rangem na calçada,
a bolsa balança
acompanhando o ritmado passo!
Boca vermelha a provocar,
chispas de escândalo no olhar,
sem querer roubo-lhe um beijo!
A rua estava deserta,
faz-se ali alcova, leito!
A dor terminou,
o dia amansou
a vida continuou!

quinta-feira, 2 de maio de 2013

DESCONHECIMENTO



DESCONHECIMENTO

Há lugares em ti que desconheço,
aros de festas, cilíndricos,
onda de festas para nós,
palavras escapadas sem inocência
que derrubam sem recurso
altares de egos frágeis,
não convencionais,
sentenciando hibernação,
deixando de adorar-se
os deuses construídos pelas nossas mãos!
Nestes momentos difíceis
há um campo imenso
as macieiras floridas,
os mirtilos negros,
as roseiras por podar!
O fogo da lareira,
a trepidação da lenha,
uma menina suspirando,
uma chávena de chá quente, aromático!
O luar que entra
para voltar todos os sonhos
ainda por concretizar!

NUMA NOITE



NUMA NOITE

A noite cai
a penumbra aparece,
o silêncio desce
nos degraus do teu corpo
que é mortal,
com uma vontade imortal
de redimir todos os pecados!
As nossas mãos
são tantas mãos
a conhecer-se do avesso,
nada se repete,
nesta noite intensa
em que o meu é teu
e o teu é meu!
O longo abraço
não é amarra do braço
que toca o meu!
Cruzam-se os olhares
percorrendo a paisagem do quarto
demasiado pequeno
para conter as emoções!
A lua esconde-se,
a noite dissipa-se,
estamos sozinhos
diante da eternidade!

quinta-feira, 13 de maio de 2010

NOITE

Carlos Dugos
in:http://eaobranasce.blogspot.com/
Naquele bar esconso,
um olhar exangue,
vestido de negro e vermelho,
está sempre pronto a vender – se
em laçadas e copos turvos de álcool!
Mãos de lama e trevas
ousam tocar um corpo redondo
numa luxuriante fogueira
saciada em qualquer portal!
Não dás por nada
em cima de altos tacões,
apertada por infindas ilusões,
velada com máscara de Carnaval!
A vida vai a correr
ao redor de outros desejos,
num palco lavado
e pensado
para seres actriz principal!
A herança deita - a fora,
respira um ar enfeitado
e faz uma roda
com as mãos
que não compram num guiché,
para um momento,
um amor de vintém,
mas a luz que conduz
a outras salas, outras horas!

terça-feira, 11 de maio de 2010

SAUDADE

Carlos Dugos
in: http://eaobranasce.blogspot.com/


SAUDADE
Saúda,
há que saudar,
quem fica no cais de embarque,
olhos negros e doces
que choram
a entrada no veleiro
do seu amor,
empurrando um estranho nevoeiro!
Ai saudade tamanha,
presa em mãos suadas
que se alimentarão
de outras vertiginosas estradas!
Num subtil ramo de rosas,
vermelhas e perfumadas,
acabarão as saudades,
magoadas,
de uma vida inteira!
Prender - te à terra
num beijo,
é o meu desejo,
fogo de artificio
para festejar a última chegada!