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quarta-feira, 5 de julho de 2017

PORTO AINDA



Carmen Santaya
PORTO AINDA  

A cidade pousada
nas gaivotas do Douro
revolteando ao redor
dos artefactos da ponte velha.
Os sentidos, literalmente
escorrendo com o gin tónico,
estando nós
sentados à mesa.
Dir-te-ão os turistas:
barulho,
achando piada a tudo,
fotografando na Sé
a velha Joaquina
a dobrar as cuecas
retiradas do estendal.
Tu no silêncio,
no teu tempo,
livrando-te
de maus pensamentos,
fazes um retrato a pastel
do gato vadio que passa.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

PORTO AINDA

Júlio Capela

PORTO AINDA  

O Porto sabe
a manhãs cinza
que esbatendo a ribeira
a tornam aguarela.
Dissipado o nevoeiro
a nitidez do veleiro,
dirigindo-se à Foz
torna a paisagem
mais bela
Abre-se, a janela
do peito,
o ar é mais rarefeito,
apetece oferecer rosas
cantar uma área de Puccini,
acenar aos putos,
sujos, suados,
jogando bola  no passeio
junto ao rio,
comer marmelada doce
seca no parapeito da janela
como se fazia antigamente.
Ó cidade eterna
nascida das transacções,
entre terra, rio e mar.
Apetece ficar,
bebericar um Porto,
vermelho, viscoso,

antes do jantar.