terça-feira, 28 de maio de 2019

UM DIA NA VIDA DE UM CIDADÃO COMUM

Jose Gonsalez Collado

UM DIA NA VIDA DE UM CIDADÃO COMUM

Decidiu sentar-se,
não fazer a habitual caminhada,
tomar café,
contar as gaivotas
que bordejavam o cais.
Olhar o relógio gasto,
ver sem olhar os rostos
apressados
querendo nada.
Imaginar as muralhas fernandinas
intactas
apertando a cidade pequena,
medieval, fechada.
O rio leva sempre
a algum lugar
de lonjura e liberdade.
As palavras baralham-se
na cabeça atordoada,
o caderno aberto
branco e vazio
na mesa de ferro fundido.
Não vê mais nada,
o poema toma forma
canta outra vez a urbe
escura e quente.

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