domingo, 27 de dezembro de 2009
NEVOEIRO ACIDENTAL
IRMÃ GABRIELA
in:http://galeriadartecontemporanea.blogspot.com/
acicatado por uma chuva miudinha,
envolveu o meu jardim encantado!
Não posso podar o alecrim,
o jasmim, a alfazema!
Os frascos de vidro frágeis e coloridos,
esperam as essências raras
com que as mulheres ,umas belas,
outras não ,
perfumarão os seus corpos,
deitadas num banco de madeira e ferro,
esperando o afago que lhes é devido!
Mais uma vez adiado
o fabrico da magia
que na hora do lobo,
distribui também poesia!
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
A FILOSOFIA DO DIA A DIA
CARLOS GODINHO
in:http://pontesluso-galaicas.blogspot.com/
Fernando Pessoa,
que a melhor Filosofia
é viver com o senso comum
o dia a dia !
Levantar apressado,
engolir o café da manhã,
ainda mal acordado,
entrar de rompante no metro,
sentir o cheirete
dos detritos mal acondicionados
da cidade!
Subir de repente,
as mesmas escadas de sempre,
sorrir ao porteiro
sem razão aparente!
Aviar um infindável
correio diário,
abrir o computador
à noite silenciado,
conviver com o patrão
com cara de caso
permanente
que só sorri ao cliente!
Passa colega, passa chamada,
passa dossier danado,
passa estafeta cansado!
Cai gotas de chuva lá fora,
em janela mal lavada!
O ar que eu preciso
para respirar liberdade
está preso por um fio,
naquela janela de vidro!
No fim do mês
compra,
os meus gritos abafados,
roucos e magoados,
o parceiro dinheiro,
metido à pressa,
num envelope pardo!
Até amanhã caro poeta
ver – nos – emos no café do Chiado!
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
D . PEDRO IV
PEDRO BUENO SALTO
in:http://pontesluso-galaicas.blogspot.com/
Abre a antiga praça do Município
hoje republicana
mas foi um rei altivo,
que veio de terra distante
para espalhar Liberdade!
Que porte tão nobre
quão bela a sua postura ,
serão os artefactos da Arte,
ou mesmo sem a Arte,
é personagem que fica
na História?
O Brasil era um gigante,
o que o fez fugir,
o que o fez correr?
Talvez a vontade de vencer,
os velhos loucos
que do absolutismo
queriam fazer o seu destino!
E desta luta fecunda,
cumpriu - se nesta nação
a nossa liberal 1ª Constituição!
domingo, 20 de dezembro de 2009
O RELÓGIO
ÓSCAR CABANA
com ponteiros dourados,
companheiro de tantos anos,
baralha e distribui as horas,
ao meu apressado quotidiano!
Sem dó nem piedade,
dá o toque a levantar,
nas madrugadas estremunhadas,
o toque a recolher ,
nas tardes cansadas!
Acompanha as boas horas
que equilibram os dias,
as más horas que nem sempre vão embora!
Bate as horas do chá escaldadiço,
embrulhado em torradas,
barradas de manteiga!
Bate as horas do trabalho,
lentas ou rápidas,
conforme o ânimo!
Bate as horas alegres
de te ter aqui ao pé,
rodando na porta a chave,
anuncio da paz das avé-marias,
ouvidas ao fim do dia,
na capela do lugar!
Lembra de noite e de dia,
a rapidez
com que passa a vida!
sábado, 19 de dezembro de 2009
A BRUXA
JOSEFINA PENA
in:http://pontesluso-galaicas.blogspot.com/
de dia mulher, à noite bruxa!
Hoje correu todas as capitais,
aquelas que saem nos jornais.
Da vassoura fez o seu transporte,
até Paris, Londres e Madrid!
Juntou-se com as suas amigas,
nas praças mais conhecidas,
e, numa dança esquisita,
suada e febril,
onde os quadris insinuavam
outras danças paranóicas,
desenhando no chão do lugar
paixões desconhecidas!
Soltavam – se os beijos
em amantes trazidos pelos desejos,
os pés rodopiavam,
e naquela dança voavam!
Não havia assimetria,
nem chantagem nem boatos,
apenas a música,
que baixava ou subia
em volume alucinado!
As mãos agarravam – se loucas,
os gritos eram roucos,
fazendo as magias,
naquelas madrugadas,
frias!
A luz do dia, intensa e branca,
acabava com toda a lembrança,
e trazia de volta a realidade,
velha e manca!
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
RECORDAÇÕES
SARA GARROTE (CHUCA)
in:http://envolvenciasgalegas.blogspot.com
Nas tuas mãos nodosas
por anos de trabalho a fio,
no mar,
passam devagar
as fotografias de toda uma vida!
Paraste naquela referente
aos loucos anos setenta,
em que os Beatles se sentaram,
à nossa mesa para nos fazer dançar!
Os cabelos compridos davam – te
um ar de poeta envergonhado
e o passado era o futuro,
uma esperança vivida,
nas baladas de Bob Dilon!
Mas que surpresa brilhante,
para lá do expectante!
O teu rosto aparecia belo,
intemporal,
captado num dia de sol
pela velha máquina
fotográfica!
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
GOTAS DE CHUVA
JOZÉ GONZÁLEZ COLLADO
in:http://josegonzalescollado.blogspot.com
Uma gota de chuva
caiu hoje no meu olho direito,
não soube bem se era chuva,
ou uma lágrima triste!
Limpei -a devagarinho
e guardei – a cuidadosamente,
num frasquinho de cristal!
Com ela fiz um aroma de fusão:
jasmim e paixão!
E aquele aroma, de andança em andança,
perfumou divinamente,
os jardins de toda a vizinhança!
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
POEMA
VICTOR SILVA BARROS
in:http://www.victorsilvabarros.blogspot.com/
POEMAPor vezes o poema não é poema
é a nossa alma que grita,
o beijo doce que desperdiçámos
nas dobras esquecidas do relógio!
É uma mão que não se dá
a outra que acenava,
um ruído de silêncio
riscando os nossos ouvidos!
É uma fome de infinito
que ergue altares por aí
para sagrar oferendas
ao muito que ganhámos nos poemas!
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
ÍNDIA
CARLOS ALBERTO SANTOS
in: www.espacoloios.com
Dizei – me naus ,caravelas
e alguma qualquer barca
se a Estrela do Norte
trouxe alguma sorte
aos marujos abençoados
que partindo destes fados
queriam chegar à Índia!
Com que ânsia com que medo,
usaram o astrolábio, a bússola
na quilha da frágil barcaça,
traçando as rotas das sedas
riscadas pelos seus dedos!
Ai Calecut adiado
nas cordas desta guitarra,
baú de especiarias, sedas,
pérolas, finas porcelanas e rendas,
ao leme das noivas
que em Portugal ficavam a chorar!
Nas noites de lobisomens, suadas,
esperavam os fios coloridos
ou dourados,
para nos enxovais bordar,
os piratas do Oriente!
Ao leme deste país sofrido
e também resignado
bebeu – se o chá verde prensado
em xícaras com gatilhos de espingardas!
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
PENSAMENTOS
FEDERICO EGUIA
in:http://aoredordotouro.blogspot.com/
Se tu fosses o Karma positivo
que eu trago sempre comigo,
as cordas dos baloiços baloiçavam
com guitas de rosas cor – de - rosa!
Os passeios de mãos dadas junto ao rio
que são paradigma de domingo
seriam vermelhas madrugadas
apagando devagarinho,
os últimos ruídos
das noites anteriores enluaradas!
Os escritos antigos dos portais
que não estão expostos nos anais,
seriam esconderijos de arcanjos
que juntamente com os anjos
guiar – nos – iam ondulando
nas ruas sinuosas da vida!
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
OLHAR SEM VER
ANÍBAL ALCINO
in: http://vieiraportuense.blogspot.com/
Olhava – te em cada dia
e tu sorrias,
pensava eu que eras meu,
o que fui pensar eu?
Ai meu país sem futuro,
encostado à janela,
com cinco gritos de raiva,
com cinco lagares de vinho
a marcar cada destino!
Com cinco passos de dança,
cinco candeias acesas
cinco pedras de berlinde
a marcar a contradança!
Cinco degraus para subir
cinco estrelas para contar
e uma cadeiras de cenário
para poder descansar
destas contas baralhadas!
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
PLANTIO
JOSÉ CABELLO RUÍZ
in:http://pontesluso-galaicas.blogspot.com/
Planto morangos silvestres,
no meu pequeno quintal
e com eles semeio as palavras
dos meus poemas rupestres!
Poemas cheios de nada,
com casas abandonadas
que deixam de ser usadas,
por falta de nelas se amar!
Poemas empurrados pelo vento,
é com algum lamento
que os dou gratuitamente,
a quem os quiser levar!
Adormeça senhora donzela
com eles à cabeceira,
e aproveite para se declarar,
ao seu vizinho Baltazar!
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
INCOMPATIBILIDADES
FRANCISCO SIMÕES
in: http://galeriadartecontemporanea.blogspot.com/
Hoje quero falar contigoe dizer – te:
não gosto do teu cão!
Além de ser narigudo
e glutão,
cheirou o meu gato, João;
esfregou – o no chão
e mordeu - o sem compaixão!
Tive de o retirar de repelão,
curar – lhe as mordeduras
com tinturas!
A partir daqui
acabou – se com o teu cão
a minha tempestuosa relação!
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
SEM TEMPO
VICTOR SILVA BARROS
in: http://victorsilvabarros.blogspot.com/
SEM TEMPONa esquina da rua do tempo,
espero a revelação que me trazem
os teus olhos profundamente azuis!
Não vejo neles nada de nítido,
a não ser o nada!
Nada valer a pena
nesta longa caminhada,
em que esperei sinais
e só vi mágoa!
Varridas no trânsito infernal
estão as viagens e os sonhos!
Estou cansada
de carregar as trouxas,
de milhões de marinheiros
que ficam em terra,
por cobardia de embarcar clandestinos!
terça-feira, 17 de novembro de 2009
PROFISSÃO: ANJO
ROSA ELVIRA CAAMAÑO
in:http://janeiro2010.blogspot.com
os pregadores de mitos,
ouvem-se gritos aflitos
de quem quer que anoiteça
e foge sem querer nada!
Transporta - se a alma apertada
no meio da onda negra
que avassala as ruas da cidade
e nos leva de rastos,
para a lama!
O silêncio é desesperadamente triste
e a solidão
dá – nos a mão
como se fosse nosso irmão,
deixando – nos paralisados à espera ,
dos tempos que virão!
Com sofreguidão,
resta pegarmos em mapas,
arregimentados por anjos da guarda,
transgredindo as fronteira do medo,
e, em segredo rir às gargalhadas
enquanto traçamos as rotas do nosso infinito,
que esmagará o finito
de quem nos encheu os olhos de água!
terça-feira, 10 de novembro de 2009
GRITO
ÓSCAR ALMEIDA
in: http://aoredordotouro.blogspot.com
Irados juntamo-nos com gritos,
à frente de cada manifestação!
Verga de vergonha a nação
envolta em bandeiras negras
por tão mal saber dividir o pão!
Não nos calaremos ,
faremos as vozes uivar,
no vento das incertezas!
Não vamos protestar lamentos
mas dizer, temos razão!
Não espalharemos as nossas dores,
quem quer saber delas,
a não ser fingidamente,
na hora das eleições?
Juntos vamos manifestar a certeza
que o dever foi cumprido
e onde está o prémio prometido?
Onde estão os ramos de urzes
para amaciar as nossas vozes cansadas!
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
INVERNO
ANTÓNIO-LINO
in:http://artexmultipla.blogspot.com/
O Outono empurra levemente
o Inverno e diz:
vá lá , entra na roda da vida!
A chuva cai forte, forte,
mostrando ar apressado!
O vento cavalga o tempo
dando alguma bofetada!
O frio é tão agreste
que entristece a pequenada!
Saltam das arcas os agasalhos:
parkas, gorros e cachecóis,
gabardines e guarda-sóis!
Na cidade, os namorados
aquecem as nós dos dedos,
nas xícaras de café cortado
por salpicos de canela!
domingo, 8 de novembro de 2009
MAR
MARIA DEL CARMEN CALVIÑO IGLESIAS
in:http://oleoetela.blogspot.com/
Este mar da minha terra
vestido de sal e tempestades,
entra em dias quentes
nos quartos das raparigas,
que estremunhadas
recebem sem perceber,
pescadores salgados!
Tiram-lhes dos pés as areias
e com muitas incertezas
agarram - nos para dançar!
E a dança é tão louca
que arrasta as suas bocas
num merengue alucinado!
Rodopiam sem parar
ao som de dolentes melodias,
mais doces, naquele dia!
Caem desajeitados
de mãos e pés atados,
num desejo estranho de amar!
in:http://oleoetela.blogspot.com/
Este mar da minha terra
vestido de sal e tempestades,
entra em dias quentes
nos quartos das raparigas,
que estremunhadas
recebem sem perceber,
pescadores salgados!
Tiram-lhes dos pés as areias
e com muitas incertezas
agarram - nos para dançar!
E a dança é tão louca
que arrasta as suas bocas
num merengue alucinado!
Rodopiam sem parar
ao som de dolentes melodias,
mais doces, naquele dia!
Caem desajeitados
de mãos e pés atados,
num desejo estranho de amar!
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
SONHOS DE MENINAS

ROSA ELVIRA CAAMAÑO
in:http://janeiro2010.blogspot.com/
SONHOS DE MENINAS
As meninas
com trancinhas muito pretas
e mãos gorduchinhas,
guardam em concha,
os confeitos,
para dar de presente às amigas
que com ela vão partilhar a vida
e os sonhos!
Sonham com correrias infindáveis
atrás dos cães a quem puxam os rabos
enquanto os pobres bichos
uivam desesperados!
Contam em surdina ao ouvido
o beijo roubado ao namorado
ao pé do quadro de cortiça
onde a professora Ana
anotava o sumário
diário!
Saltam as maresias
procurando algumas conchas,
para gritar os segredos
que depois deitam ao mar!
Em colisão e empurrão riem de tudo
e de nada
rematando uma estrada
onde esperam encontrar-se
com tacinhas de segredos
para a todos ofertar
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
NÓS

in: http://laparaooutono.blogspot.com/
NÓS
Marcharemos,
unidos e juntos,
correndo pela pradaria
em dia de vento
até desmaiarem os nossos sentidos
suados
na relva molhada!
Cheiremos o Outono
aquecido nas castanhas assadas,
envolto no nevoeiro desta cidade!
Onde estivermos,
será um altar
ou um trono
para desvendarmos os segredos
dos verbos sonhar e amar!
terça-feira, 3 de novembro de 2009
UM POEMA
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
POETA
in:http://victorsilvabarros.blogspot.com/
POETA
O poeta é um jogador
que brinca com as palavras
e num passe de mágica
pinta com elas
um pomar de aguarelas!
Às vezes o poema é um lamento,
um choro repentino
doendo até ao osso!
Outras é um desatino
correndo contra o destino,
à procura da alegria,
que às vezes anda perdida!
O poeta é um jogador
que brinca com as palavras
e num passe de mágica
pinta com elas
um pomar de aguarelas!
Às vezes o poema é um lamento,
um choro repentino
doendo até ao osso!
Outras é um desatino
correndo contra o destino,
à procura da alegria,
que às vezes anda perdida!
domingo, 1 de novembro de 2009
O LADRÃO DE REBUÇADOS

MARCELO LÉONARD
in:http://pontesluso-galaicas.blogspot.com/
O LADRÃO DE REBUÇADOS
Este ladrão engraçado
já se tinha sentado nos meus sonhos
a delinear estratégias
para consolar
crianças mal amadas!
Roubava os doces das mercearias do bairro,
a saber a frutas doces e perfumadas!
À noite de mansinho
deixava-se cair devagarinho,
nas salas dos meninos tristes,
contava-lhes histórias,
avivando - lhes as memórias!
Deixava-lhes no regaço
um pacote desses rebuçados,
abençoados!
Os meninos despediam-se dele,
dizendo adeus repetidos
e mandando com as pontas dos dedos
beijinhos atrevidos
que faziam ruídos na sua cara,
safada!
E de madrugada o ladrão
voltava à faina,
enchia novamente o cestinho de rebuçados
e carinho
para consolar a manhã de cada menino!
in:http://pontesluso-galaicas.blogspot.com/
O LADRÃO DE REBUÇADOS
Este ladrão engraçado
já se tinha sentado nos meus sonhos
a delinear estratégias
para consolar
crianças mal amadas!
Roubava os doces das mercearias do bairro,
a saber a frutas doces e perfumadas!
À noite de mansinho
deixava-se cair devagarinho,
nas salas dos meninos tristes,
contava-lhes histórias,
avivando - lhes as memórias!
Deixava-lhes no regaço
um pacote desses rebuçados,
abençoados!
Os meninos despediam-se dele,
dizendo adeus repetidos
e mandando com as pontas dos dedos
beijinhos atrevidos
que faziam ruídos na sua cara,
safada!
E de madrugada o ladrão
voltava à faina,
enchia novamente o cestinho de rebuçados
e carinho
para consolar a manhã de cada menino!
sábado, 31 de outubro de 2009
DIÁLOGO
CONSTÂNCIA NÉRY
in:http://aoredordotouro.blogspot.com/
DIÁLOGO
Ai poeta desgarrado
tantas vezes mal amado!
És antes sim do que não
quando na tua mão
vais escrevendo saudade!
Com máscaras
e artefactos
tocas as melodias
em violinos com teclados
e deixas nas melodias
beijos molhados
roubados às raparigas!
Cavas jardins com as mãos
e pões nos olhos de quem te lê
um anel de diamante!
Quem precisa de ti?
Quem quer fazer uma farra
com papagaios iluminados?
Quem quer responder aos teus versos
com outros ligados
com fitinhas de amizade, coloridas?
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
APELO
VICTOR SILVA BARROS
in:victorsilvabarros.blogspot.com/
APELO
Apelo à pele dele
que não se esqueça da minha!
De distracção em distracção
às vezes foge-lhe a mão,
para afagar a vizinha!
Ai Luisinha
que pouca sorte a minha,
nem sei se chore se ria!
Um dia hei-de fugir pela janela
com a maleta azul cheia
de vidas para viver!
Longe daquele lugar,
penso que vou encontrar,
gargalhadas loucas
espalhando pelas sarjetas,
poemas de embalar!
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
QUARTO CRESCENTE
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
O POEMA

MARIA DEL CARMEN CLVIÑO IGLÉSIAS
in:http://oleoetela.blogspot.com/
O POEMA
O poema tanto nasce de manhã
como à noite,
vestido de linho fino
ou de lã cardada!
Às vezes grita de raiva
outras dorme descansado!
Ora agita as folhas de todos os jardins
encantados,
ora recosta a cabeça nas romãs,
debruadas a jasmim
que um misterioso amante
colheu para mim!
É asa , é vento,
é desatino afogueado,
é estrela escrita
nos versos aflitos
que lavaram hoje a minha cara!
terça-feira, 27 de outubro de 2009
ESCURO

SARAGARROTE (CHUCA)
ESCURO
Era lusco-fusco e eu amedrontada
numa madrugada de nevoeiro intenso
arrastava os socos e tentava ver
no emaranhado silencioso
daquele pinhal imenso!
Agarrava a saia da avô Olinda
que com ambas as mãos levava
o saco de milho graúdo
que havia de ser moído
na rua da pena!
O moinho arrastava-se devagarinho
e gemia de mansinho
à espera da farinha que tardava!
E eu só sonhava com o pão quentinho
que sairia do forno suado
barrado com uma fatia generosa
da outonal marmelada!
Era lusco-fusco e eu amedrontada
numa madrugada de nevoeiro intenso
arrastava os socos e tentava ver
no emaranhado silencioso
daquele pinhal imenso!
Agarrava a saia da avô Olinda
que com ambas as mãos levava
o saco de milho graúdo
que havia de ser moído
na rua da pena!
O moinho arrastava-se devagarinho
e gemia de mansinho
à espera da farinha que tardava!
E eu só sonhava com o pão quentinho
que sairia do forno suado
barrado com uma fatia generosa
da outonal marmelada!
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
A POESIA

in:http://josegonzalescollado.blogspot.com/
A POESIA
A poesia fala comigo
todo o dia!
Põe laços no meu cabelo
e com desvelo
pinta-me os lábios de encarnado!
Dá sentido à minha vida,
e abre todas as gavetas
quando escrevo o teu nome
no poema!
Perfuma com rosas o livro
adormecido
na estante
cheio de estrofes por dizer!
Dá comigo a descascar
a laranja doce
que agarra
a minha vontade de viver!
A poesia fala comigo
todo o dia!
Põe laços no meu cabelo
e com desvelo
pinta-me os lábios de encarnado!
Dá sentido à minha vida,
e abre todas as gavetas
quando escrevo o teu nome
no poema!
Perfuma com rosas o livro
adormecido
na estante
cheio de estrofes por dizer!
Dá comigo a descascar
a laranja doce
que agarra
a minha vontade de viver!
domingo, 25 de outubro de 2009
PERGUNTAS

in:http://universosxparalelos.blogspot.com/
PERGUNTAS
Matam a floresta
ai floresta
quem te mata?
Que mão é o executante
da morte
deste planeta?
Quem seca a água
da Terra
e a faz morrer de sede?
Que louco
envenena
a água do meu rio?
Quem conspurca
o ar
que eu respiro?
Quem ressuscita
a vida
e lava a sua
a alma?
Matam a floresta
ai floresta
quem te mata?
Que mão é o executante
da morte
deste planeta?
Quem seca a água
da Terra
e a faz morrer de sede?
Que louco
envenena
a água do meu rio?
Quem conspurca
o ar
que eu respiro?
Quem ressuscita
a vida
e lava a sua
a alma?
sábado, 24 de outubro de 2009
SOU

in:http://universosxparalelos.blogspot.com/
SOU
Sou uma frase de poesia
a sombra naquela tela
o rasgo naquela janela
a virar o dia a dia!
Sou um fruto em desvario
um som de Vivaldi interrompido,
à espera daquele concerto
musical!
Uma maçã camoesa
plantada na tua mesa
a sobremesa
final!
Uma chaise long
para acolher o teu sono
e assim libertar os fantasmas
e poder voar!
Uma igual a tantas outras
embora com mãos loucas
que acalmam as nossas bocas,
em dias de tempestade!
Sou uma frase de poesia
a sombra naquela tela
o rasgo naquela janela
a virar o dia a dia!
Sou um fruto em desvario
um som de Vivaldi interrompido,
à espera daquele concerto
musical!
Uma maçã camoesa
plantada na tua mesa
a sobremesa
final!
Uma chaise long
para acolher o teu sono
e assim libertar os fantasmas
e poder voar!
Uma igual a tantas outras
embora com mãos loucas
que acalmam as nossas bocas,
em dias de tempestade!
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
MEDO

in:http://pontesluso-galaicas.blogspot.com/
Medo de te perder
na esquina esfomeada!
Medo do medo da noite
em solidões encontrada!
Medo de perdas vultosas
em levas de tempestades
ansiosas!
Medo de ter medo
e por medo
não pintar um quadro!
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
O FOGÃO

in:http://josegonzalescollado.blogspot.com/
Tão negro e tão brilhante
podia ser diamante
quando cozinho poesia!
Do seu calor abrasador
sai o assado
de bácoro e castanha
que há-de alimentar o dia!
Coze no tacho de cobre
a aletria perfumada
bordada a leite e canela
e ainda dentro dela
amores desencontrados!
Trabalha de noite e de dia
sacia os nossos corpos
e amolece ansiedades,
com taças de vinho quente
e pão com nozes e menta!
podia ser diamante
quando cozinho poesia!
Do seu calor abrasador
sai o assado
de bácoro e castanha
que há-de alimentar o dia!
Coze no tacho de cobre
a aletria perfumada
bordada a leite e canela
e ainda dentro dela
amores desencontrados!
Trabalha de noite e de dia
sacia os nossos corpos
e amolece ansiedades,
com taças de vinho quente
e pão com nozes e menta!
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
PINHEIRAL

in:http://oleoetela.blogspot.com/
Ai pinheiros da minha infância
enfeitados de sonhos e romãs !
A brisa vinda do mar
entrava pela minha janela sorrateira,
sem pedir licença!
Na minha cama deitada,
num quarto irreal,
comia com ela pinhões aveludados em mel!
Um marinheiro gingão
empurrava um navio naufragado
e rodando com o timoneiro
bebiam rum e café!
E os meus sentidos adormecidos
numa rotina sem fé
dançavam com eles aos sons dos fados,
por não haver música rape,
ali ao pé!
enfeitados de sonhos e romãs !
A brisa vinda do mar
entrava pela minha janela sorrateira,
sem pedir licença!
Na minha cama deitada,
num quarto irreal,
comia com ela pinhões aveludados em mel!
Um marinheiro gingão
empurrava um navio naufragado
e rodando com o timoneiro
bebiam rum e café!
E os meus sentidos adormecidos
numa rotina sem fé
dançavam com eles aos sons dos fados,
por não haver música rape,
ali ao pé!
terça-feira, 20 de outubro de 2009
O TANGO

in:http://josegonzalescollado.blogspot.com/
O pé esticado
As mãos sofridas agarradas em desespero!
A música entoa
no bairro húmido ribeirinho
da cidade!
Os dançarinos entregam-se à dança molhada
que nasce de amores traídos
e marinheiros embarcados!
A mão quase descai em estalada
a raiva cresce e emudece a passarada!
O amante atraiçoado
que quer ali naquele fado
vingar-se da vida inteira
rodopia, rodopia!
De repente, aquela gente que dança,
ginga mais
puxada pelo acordeão magoado,
Paira no ar a nostalgia
de um amor acabado,
mas na paixão daquele tango
colam-se as duas bocas
entre palmas acalmadas!
As mãos sofridas agarradas em desespero!
A música entoa
no bairro húmido ribeirinho
da cidade!
Os dançarinos entregam-se à dança molhada
que nasce de amores traídos
e marinheiros embarcados!
A mão quase descai em estalada
a raiva cresce e emudece a passarada!
O amante atraiçoado
que quer ali naquele fado
vingar-se da vida inteira
rodopia, rodopia!
De repente, aquela gente que dança,
ginga mais
puxada pelo acordeão magoado,
Paira no ar a nostalgia
de um amor acabado,
mas na paixão daquele tango
colam-se as duas bocas
entre palmas acalmadas!
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
A MINHA AMEIXIEIRA VELHINHA

GUSTAVO FERNANDES
in: http://universosxparalelos.blogspot.com/
Estou presa à vida por um fio!
O meu tronco esburacado
já gastou o seu ciclo vivificador!
Estou um pouco taralhouca
e meia mouca!
Imaginem que este ano em Outubro
jurei que era Primavera
e dei por mim a florir!
A quem pedir que me guie
nesta estrada sem sinais!
Nunca sei se é Primavera ou Verão
se é para rir ou chorar!
Se me caem chuvas ácidas
ou outras muitas desgraças,
neste tronco descarnado!
Se morro ou se renasço
sendo tecto de abraços
dos amores da minha rua!
in: http://universosxparalelos.blogspot.com/
Estou presa à vida por um fio!
O meu tronco esburacado
já gastou o seu ciclo vivificador!
Estou um pouco taralhouca
e meia mouca!
Imaginem que este ano em Outubro
jurei que era Primavera
e dei por mim a florir!
A quem pedir que me guie
nesta estrada sem sinais!
Nunca sei se é Primavera ou Verão
se é para rir ou chorar!
Se me caem chuvas ácidas
ou outras muitas desgraças,
neste tronco descarnado!
Se morro ou se renasço
sendo tecto de abraços
dos amores da minha rua!
domingo, 18 de outubro de 2009
AS GAIVOTAS DO DOURO

MARIA XESUS DIAZ
Comem da água conspurcada
e adoecem sem saber!
São desleixados os homens
que só dão algumas sobras
quando não servem para nada!
Ao fim da tarde cansadas
vêm em bandos pousar
nas janelas das mansardas,
das velhas casas do Porto!
Piam pios aflitos
e dez dolorosos gritos
pedindo socorros roucos,
que acordem os poderes
deste país adiado!
Quem limpa o rio Douro magoado,
colar cinza da cidade?
Quem reabilita o casario
que chora abandonado?
Quem quer amar esta cidade
outrora suada
entrelaçada de braços
e hoje vazia?
Ai gaivotas ribeirinhas quem vos salva?
Quem nos Ama?
Quem nos oferece uma taça de rabanadas
molhadas em mel?
e adoecem sem saber!
São desleixados os homens
que só dão algumas sobras
quando não servem para nada!
Ao fim da tarde cansadas
vêm em bandos pousar
nas janelas das mansardas,
das velhas casas do Porto!
Piam pios aflitos
e dez dolorosos gritos
pedindo socorros roucos,
que acordem os poderes
deste país adiado!
Quem limpa o rio Douro magoado,
colar cinza da cidade?
Quem reabilita o casario
que chora abandonado?
Quem quer amar esta cidade
outrora suada
entrelaçada de braços
e hoje vazia?
Ai gaivotas ribeirinhas quem vos salva?
Quem nos Ama?
Quem nos oferece uma taça de rabanadas
molhadas em mel?
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
INVERNO
VICTOR SILVA BARROS
A chuva cai no telhado,
traz-me ao presente o passado
com danças naquela mansarda,
onde bocas sedentas bebiam
ao mesmo tempo que os pássaros
aquelas gotas divinas!
Os sons eram mais reais
faziam no silêncio um garrote,
pendurando nas varandas
chícaras de café Sical
e alguns bolinhos mais!
Não havia
dias em que não acontecia nada!
A água torrencial
nem sempre corria para o mar,
galga caminhos e montes,
enche algumas fontes
e vai adormecer na serra!
A chuva cai no telhado
e molha o meu coração!
traz-me ao presente o passado
com danças naquela mansarda,
onde bocas sedentas bebiam
ao mesmo tempo que os pássaros
aquelas gotas divinas!
Os sons eram mais reais
faziam no silêncio um garrote,
pendurando nas varandas
chícaras de café Sical
e alguns bolinhos mais!
Não havia
dias em que não acontecia nada!
A água torrencial
nem sempre corria para o mar,
galga caminhos e montes,
enche algumas fontes
e vai adormecer na serra!
A chuva cai no telhado
e molha o meu coração!
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
O IMPORTADOR DE SONHOS

in:http://portocomsentido.blogspot.com/
Importa-os pela Internet
de Paris e da Escócia!
São tão leves
que lhe não fazem mossa!
Tem uma ficção
espalhá-los na cidade,
e enfiá-los nos dedos
dos que dormem nos bancos dos jardins
e nos vãos das escadas!
É, gaivotas não se riam
deste terno desvario
que enfeitaria a nossa cidade
tão abandonada!
Cidade que está a morrer,
num caos de sujidade,
e diga-se a verdade,
isso não importa nada!
As gentes escoam-se para outras margens
onde são melhores as miragens,
os negócios fogem para novos centros
onde outros espaventos
os fazem singrar!
O Bulhão é uma assombração
daquele mercado
onde os pregões
acordavam as manhãs enluaradas!
E perderam-se os croissants fresquinhos
embrulhados em manteiga
que sujavam os nossos beiços
em cada quinta feira!
Um centro histórico classificado
mirrado em casas enviuvadas
que caem aos pedaços
em todas as madrugadas!
Centro transformado nesses mercados
desvairados de roubo e droga!
Ai minha cidade moribunda
quem te acode
quem me acode,
da coisa tão má que à nossa volta
não deixa esperança às nossas mãos!
Ai sonhos que vem de fora,
entram na nossa casa
e numa última braçada,
beijam os pássaros das redondezas
para que ,de repente, acorde,
esta cidade acossada!
de Paris e da Escócia!
São tão leves
que lhe não fazem mossa!
Tem uma ficção
espalhá-los na cidade,
e enfiá-los nos dedos
dos que dormem nos bancos dos jardins
e nos vãos das escadas!
É, gaivotas não se riam
deste terno desvario
que enfeitaria a nossa cidade
tão abandonada!
Cidade que está a morrer,
num caos de sujidade,
e diga-se a verdade,
isso não importa nada!
As gentes escoam-se para outras margens
onde são melhores as miragens,
os negócios fogem para novos centros
onde outros espaventos
os fazem singrar!
O Bulhão é uma assombração
daquele mercado
onde os pregões
acordavam as manhãs enluaradas!
E perderam-se os croissants fresquinhos
embrulhados em manteiga
que sujavam os nossos beiços
em cada quinta feira!
Um centro histórico classificado
mirrado em casas enviuvadas
que caem aos pedaços
em todas as madrugadas!
Centro transformado nesses mercados
desvairados de roubo e droga!
Ai minha cidade moribunda
quem te acode
quem me acode,
da coisa tão má que à nossa volta
não deixa esperança às nossas mãos!
Ai sonhos que vem de fora,
entram na nossa casa
e numa última braçada,
beijam os pássaros das redondezas
para que ,de repente, acorde,
esta cidade acossada!
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
NUVEM
in:http://galeriadartecontemporanea.blogspot.com/
Vejo uma nuvem no céu
a cobrir-te todo o dia,
ai minha bela donzela
quem quer saber dela
quando te pões à janela?
Quero é ver-te nua,
a posar para mim,
dizendo sim,
aos meus abraços suados!
É tão grande a tua formosura
que de noite se faz dia
quando adormecemos
de amor cansados!
a cobrir-te todo o dia,
ai minha bela donzela
quem quer saber dela
quando te pões à janela?
Quero é ver-te nua,
a posar para mim,
dizendo sim,
aos meus abraços suados!
É tão grande a tua formosura
que de noite se faz dia
quando adormecemos
de amor cansados!
terça-feira, 13 de outubro de 2009
PENSAR A BRINCAR

in:http://envolvenciasgalegas.blogspot.com/
Pensa que és uma flor
e eu serei o colibri
para me perder em ti!
Pensa que és a cinderela
e eu o príncipe da história
para te acordar na hora
com beijos incendiários!
Pensa que és um bombeiro
e eu a fogueira
para podermos numa clareira
de bosques encantados
com danças e contradanças
olhar com mãos entrançadas
o rescaldo!
Pensa que és um pintor
e eu serei a tua tela
para endoideceres nela
e recriar a obra
que nos vai fazer sonhar!
e eu serei o colibri
para me perder em ti!
Pensa que és a cinderela
e eu o príncipe da história
para te acordar na hora
com beijos incendiários!
Pensa que és um bombeiro
e eu a fogueira
para podermos numa clareira
de bosques encantados
com danças e contradanças
olhar com mãos entrançadas
o rescaldo!
Pensa que és um pintor
e eu serei a tua tela
para endoideceres nela
e recriar a obra
que nos vai fazer sonhar!
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
BRINQUEDOS

ODETE LOUREIRO
BRINQUEDOS
Em pequeninos dão-nos muitos;
a boneca,o piano de cordel,
a louça de faz de conta. o livro para colorir
e o telefone-trrim…trrim…
Acalmam os nossos medos
trazem destreza aos dedos
e fazem-nos também sonhar!
São as casas verdadeiras
onde cabem famílias inteiras,
uma lua que nos enternece
e aparece nos dias menos bons!
Foram esses brinquedos
que abriram estradas certas
embora incompletas
para podermos trilhar!
Em pequeninos dão-nos muitos;
a boneca,o piano de cordel,
a louça de faz de conta. o livro para colorir
e o telefone-trrim…trrim…
Acalmam os nossos medos
trazem destreza aos dedos
e fazem-nos também sonhar!
São as casas verdadeiras
onde cabem famílias inteiras,
uma lua que nos enternece
e aparece nos dias menos bons!
Foram esses brinquedos
que abriram estradas certas
embora incompletas
para podermos trilhar!
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
BARCO RABELO

AVELINO ROCHA
BARCO RABELO
É um barco tão possante
onde ao leme vai um timoneiro
que passa sabores à vida
de mão dado com um vinho de terra distante!
Vem do Douro gritando
pelos lajedos de chistos
assentar no Porto
seu amante!
Serve para festejarmos
os marcos da nossa vida
erguer saúdes
molhar farras
com as nossa namoradas
sem deixar sabor amargo!
O barco transporta desejos
e também alguns dos beijos
que escapam das nossas bocas
em noites muito loucas
de amores assinalados
com um vintage açucarado!
E vai o barco aportar
nas margens do cais de Gaia
que fica sempre a chorar
antes de nova partida!
É um barco tão possante
onde ao leme vai um timoneiro
que passa sabores à vida
de mão dado com um vinho de terra distante!
Vem do Douro gritando
pelos lajedos de chistos
assentar no Porto
seu amante!
Serve para festejarmos
os marcos da nossa vida
erguer saúdes
molhar farras
com as nossa namoradas
sem deixar sabor amargo!
O barco transporta desejos
e também alguns dos beijos
que escapam das nossas bocas
em noites muito loucas
de amores assinalados
com um vintage açucarado!
E vai o barco aportar
nas margens do cais de Gaia
que fica sempre a chorar
antes de nova partida!
O TOURO

GABRIELUX
O Touro
É um bicho e até um Deus
no Nilo abençoado!
Ficou nos muros da História
e com alguma glória
acompanhou o homem
na sua triunfante caminhada!
É trompete que anuncia a festa,
sangue e bandarilhas
e ainda algumas meninas
que atiram flores aos forcados!
É um ai de aflição
com o toureiro no chão
ensanguentado,
rezando à Virgem Maria!
É o olé da plebe
que em dia de faena,
esquece as suas penas
atira chapéus ao ar,
e faz da arena um mar de risos
e palmas!
É o actor principal
quando num último estertor
depois da fatal estocada,
cai no chão em câmara lenta,
num rugido enraivecido
de quem não se dá por vencido
numa luta desigual!
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
O GATO

in:http://pontesluso-galaicas.blogspot.com/
O GATO
O gato não é um lagarto
mas parece
quando entra em letargia
à espera do jogo
de apanhar o rato!
Estica-se ,completamente,
e fica imóvel
à espera da dança da morte!
A vítima entra em desnorte,
é um revirote!
Deixa ,o gato no ar, a esperança
de o rato escapar,
lança as garras,
volta a apanhá-lo!
Dançam, rodopiam,
e no auge da sedução,
o gato só quer mesmo papá-lo!
O gato não é um lagarto
mas parece
quando entra em letargia
à espera do jogo
de apanhar o rato!
Estica-se ,completamente,
e fica imóvel
à espera da dança da morte!
A vítima entra em desnorte,
é um revirote!
Deixa ,o gato no ar, a esperança
de o rato escapar,
lança as garras,
volta a apanhá-lo!
Dançam, rodopiam,
e no auge da sedução,
o gato só quer mesmo papá-lo!
CHUVA

in:http://pontesluso-galaicas.blogspot.com/
CHUVA
Caiu tão repentinamente
que eu que não sou muito crente,
pensei que por mistério divino
só podia ser castigo!
Fiquei tão fria e ensopada
que só queria chegar a casa
noutros tempos, noutras eras
em que as avós estavam à espera
com bacias de água quente,
lençóis aquecidos à lareira
e muito café com mel!
Envolviam-nos com uma manta de burel
que abrandava todo o frio!
Davam-nos um beijo sentido
sem cobranças ou ralhetes,
e, adormecíamos encostadas aos seus seios!
Caiu tão repentinamente
que eu que não sou muito crente,
pensei que por mistério divino
só podia ser castigo!
Fiquei tão fria e ensopada
que só queria chegar a casa
noutros tempos, noutras eras
em que as avós estavam à espera
com bacias de água quente,
lençóis aquecidos à lareira
e muito café com mel!
Envolviam-nos com uma manta de burel
que abrandava todo o frio!
Davam-nos um beijo sentido
sem cobranças ou ralhetes,
e, adormecíamos encostadas aos seus seios!
MOMENTO

in: http://oleoetela.blogspot.com/
MOMENTO
O figo
Molhou-me os sentidos
quando o seu pingo de mel
me caiu nos lábios!
Devagarinho
outros lábios
o provaram com sofreguidão!
Pensei ,de repente,
que podia parar o tempo
na lareira desse dia!
O figo
Molhou-me os sentidos
quando o seu pingo de mel
me caiu nos lábios!
Devagarinho
outros lábios
o provaram com sofreguidão!
Pensei ,de repente,
que podia parar o tempo
na lareira desse dia!
DA MINHA JANELA
in:http://oleoetela.blogspot.com/
Da MINHA JANELA
Da minha janela
empurrando a cortina
vejo a correr na calçada,
a vida!
Quero alcançá-la já,
a cortina a escurecer
e não consigo agarrá-la!
Caraças, que confusão
vou gritando à vida
em vão!
Quero vivê-la agora!
E a vida desvanece
no meio do nevoeiro
não ligando ao meu receio
de ficar sem luz do dia!
Tudo ensandeceu, de repente,
e eu grito com tal raiva:
hei-de seguir- te o dia inteiro
até onde for o viveiro
para poder ficar contigo!
Da minha janela
empurrando a cortina
vejo a correr na calçada,
a vida!
Quero alcançá-la já,
a cortina a escurecer
e não consigo agarrá-la!
Caraças, que confusão
vou gritando à vida
em vão!
Quero vivê-la agora!
E a vida desvanece
no meio do nevoeiro
não ligando ao meu receio
de ficar sem luz do dia!
Tudo ensandeceu, de repente,
e eu grito com tal raiva:
hei-de seguir- te o dia inteiro
até onde for o viveiro
para poder ficar contigo!
SONHO
in:http://victorsilvabarros.blogspot.com/
SONHO
Por espaços siderais
abro, quem sabe, canais
através da via Láctea!
Cumprimento cada estrela
e penteio-lhe o cabelo
com todo o meu desvelo
e deixo-lhe laços de prenda!
Agarro a trovoada
e estrelo ovos no fogo
que de repente fica macio
e preso por um fio,
dá um estrondo abafado!
Converso com um cometa
e comemos marmelada
feita com muito carinho
por um qualquer menino,
desta Terra já cansada!
Lavo a cara na chuva
e choro com a desventura
dum planeta contaminado!
Por espaços siderais
abro, quem sabe, canais
através da via Láctea!
Cumprimento cada estrela
e penteio-lhe o cabelo
com todo o meu desvelo
e deixo-lhe laços de prenda!
Agarro a trovoada
e estrelo ovos no fogo
que de repente fica macio
e preso por um fio,
dá um estrondo abafado!
Converso com um cometa
e comemos marmelada
feita com muito carinho
por um qualquer menino,
desta Terra já cansada!
Lavo a cara na chuva
e choro com a desventura
dum planeta contaminado!
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
A VIDA MUSICAL

in:http://josegonzalescollado.blogspot.com/
A VIDA MUSICAL
Acordava ao som de Mozart
com acordes celestiais!
Durante o dia
media a vida
em harpas de muitos ais!
O escritório era um piano
tocado por muitos dedos
pintados de trabalho e medos!
O transporte que a levava
era bombo a rebentar
todos empurravam a batuta
sem lugar para sentar!
O violino trinava sempre
no regresso a casa!
E de mansinho embalava-a o violoncelo
no banho de imersão
dominical!
Acordava ao som de Mozart
com acordes celestiais!
Durante o dia
media a vida
em harpas de muitos ais!
O escritório era um piano
tocado por muitos dedos
pintados de trabalho e medos!
O transporte que a levava
era bombo a rebentar
todos empurravam a batuta
sem lugar para sentar!
O violino trinava sempre
no regresso a casa!
E de mansinho embalava-a o violoncelo
no banho de imersão
dominical!
Subscrever:
Mensagens (Atom)