terça-feira, 5 de setembro de 2017

O FIM

O FIM  

No fim pouco resta.
Estamos, mortos antes de o sermos.
Não somos nós,
somos o que terceiros
querem que sejamos.
Até Deus se ausenta:
aguenta até ao sinal da partida…
Entretanto, arredamos a morte
da cabeça,
vamos tocando a terra com os pés,
a humidade entranha-se na pele,
renascemos.
Quão generosa é esta essência,
os ossos enrijecem,
sabe melhor a marmelada,
os sucos de cereja
escorregam entre os dedos
como sangue caindo no deserto.
Os bichos devoram os restos,
nada se perde,
o céu confunde-se com a terra,
refrescam-se as memórias,
os trovões provocam as nuvens,
há ameça de chuva  

tudo reverdece.

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