quarta-feira, 8 de abril de 2015

LEMBRANÇAS


Júlio Resende
LEMBRANÇAS

Sento-me numa banqueta
esfarrapada
diante do espelho
de um velho tocador,
com gavetas, gavetinhas,
escaninhos
onde estavam escondidos
os tesouros da minha mãe!
Um coração de ouro oco
onde no meio luzia
a bigodaça farfalhuda,
enfeitando o rosto fino,
jovem, aprumado,
do meu pai!
Um monte de fotografias
amareladas,
contando uma história,
ora sinuosa, ora grandiosa,
de uma cidadã com postura!
Os documentos identificativos
dos que restaram na casa,
embrulhados em papel de seda,
 as nossas cédulas,
os boletins de vacinas,
e numa caixa de metal
uns cachos dourados,
o primeiro corte de cabelo
de um qualquer filho!

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